sábado, janeiro 02, 2010

MEIAS CONVERSAS



08h28 de uma manhã com garoa. Véspera de Ano Novo.

Sento num banco de jardim, úmido pela chuva da madrugada, mas não me importo. Preciso descansar depois de 15 minutos de leve caminhada (para mim, sedentária que estou, foram longos minutos), retomar a respiração, tomar um pouco d´água e observar o povo caminhando no parque.

Se tem algo que me fascina é o ato da observação. Nesse caso, em especial, apreciar o ato das pessoas cuidando de si mesmas, da sua saúde e estética. Sou admiradora do cotidiano.

- "...pois é, não sei como ela teve coragem"... "nós não imaginávamos que a coisa estivesse nesse nível.."
- "nossa, Bete... e vocês, o que falaram? o que fizeram?..."deve ter sido um choque!..."

Foi assim que o vento me trouxe essa metade de conversa entre duas mulheres, já na meia idade, que caminhavam a passos largos e rápidos. Seriam amigas? irmãs? vizinhas?... não sei. Eu, sentada no meu molhado e duro banco de praça, captei apenas trechos de uma história que, para mim, não teve início e, provavelmente, nem teria um fim.

Talvez a história tenha acontecido no dia de Natal, talvez...quem sabe!
As famílias costumam ter algumas surpresas, boas ou ruins - ou ambas - nessa época em que se reúnem para ceiar em volta de uma lauta mesa e que pode se tornar inesquecível para todos.

Conjeturas à parte, confesso que fiquei curiosa. Permiti, naquele momento, aflorar um pouco de futilidade em mim e permaneci no banco mais uns 8 minutos à espera que elas dessem mais uma volta e passassem por mim novamente com mais um emocionante capítulo.

- "Oi, amiga... quanto tempo! Como você está? sua filha, seu marido? ainda está trabalhando naquela empresa de cosméticos?...


Eis que surge uma velha amiga (não, não é uma amiga velha). Também malhando para perder o que estava sobrando. E, a partir daí, demos início a uma volta no tempo. Tempo em que malhar, para mim, era apenas em sábado de aleluia... malhando o Judas!
Bons tempos aqueles...

Ops!... ahhh! acabaram de passar por mim.
Não, nenhum vento soprou outro trecho da conversa. Não tão forte que ao menos tenha podido calar o som alto que saía da boca de minha velha amiga.

Perdi a chance.

Mas, serviu como consolo saber, através de minha velha amiga, que a amante de seu marido resolveu sair do anonimato em plena ceia de Natal. Nossa! certamente ela teve um natal inesquecível.

Fofoca por fofoca, barraco por barraco...ao menos consegui saciar minha sede de irrelevância naquela manhã.


por SONIA MENEZES

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