terça-feira, junho 29, 2010

ACELERAÇÃO DO TEMPO

Quando eu era mais jovem costumava viajar de carro, assim, aproveitava para curtir as praias, descobria recantos. Agora, nem penso mais nisso, vou de avião, lógico. É muito mais confortável. Saio de São Paulo e em poucos minutos estou em outra capital. E quando o piloto diz que do lado esquerdo podemos avistar a cidade x ou y, é só um modo de falar, porque na verdade, não dá para ver nada.
Na época deles, meu pai vivia em São Paulo e minha mãe no interior. Eles se correspondiam por cartas. E assim foi que pacientemente eles namoraram até se casar. Mas quanta gente faz isso hoje, se você tem o e-mail, o bate-papo, a câmera e a net? Tudo mudou rápido.
Para saber algo que tinha acontecido do outro lado do mundo, você demorava muito tempo, mas hoje, com tantos satélites, antenas e cabos que chegam onde você estiver a notícia é mostrada em tempo real. É assim que você encurta as distâncias e quase se afoga num oceano de informações.
Com a aceleração do tempo mal dá para prestar atenção em cada coisa, em cada pessoa. Tudo é muito rápido, você nem sente o gosto, não processa, e pior, não reconhece. Você flutua no tempo, como se nunca fizesse parte. É melhor saber pela net ou na tela da televisão. Mantém a distância, não pertence, desliza na superfície.
Um relacionamento que durava 25 anos para amadurecer, hoje acontece em 25 dias ou 25 minutos, senão em 25 segundos. Você acha que já conhece, e se conforma em trafegar em alta velocidade por esta vida, mesmo que não se envolva com nada de fato.

SERGIO SAVIAN
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